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miércoles, 14 de octubre de 2020
lunes, 27 de julio de 2020
Alguns Poemas
eu, mulher plena,
prenhe de plurais.
yo, mujer plena, preñada de plurales.
(edición en portugués)
Jamais apreender o
objeto
a partir do que lhe
é evidente.
A roda do moinho
deve ser captada
do ângulo em que
menos se ostenta
- daquele
em que o olhar vai
ter de se deter
de modo a que
(rendendo-se)
paire sobre esse
foco para sempre
rondando
rodando
escarafunchando
caraminholando
o que não percebeu
antes.
EL MOLINO DE LA GALETTE
Jamás aprehender el objeto
a partir de lo que le es evidente.
Las aspas del molino
deben ser captadas
desde el ángulo en que menos se ostentan
- de aquel
en el que la mirada va a tener que detenerse
de forma que
(rindiéndose)
planee sobre ese foco para siempre
rondando
rodeando
escarbando
escudriñando
lo que antes no se percibió.
viernes, 10 de julio de 2020
jueves, 28 de mayo de 2020
Carta a Pilar
CARTA A PILAR
Cariño. Na hora da morte a língua some-se-nos para falar aos vivos mais amados por aquele que acaba de morrer. Ao lado do corpo de José contavas que uma amiga te dissera: «Faltam-me as palavras: Saramago levou-mas todas». A mim sobrou-me uma palavra da tua língua: cariño. Em português esta palavra não é um vocativo, uma declaração de presença – é um sentimento abstracto, uma espécie de amor de segunda, um pedido de desculpas por não ser mais do que isso. Exageramos nos sentimentos fracos e nas desculpas, deste lado da Ibéria. Nisso, o teu José era muito espanhol, mesmo antes de te conhecer. O amor começa sempre antes.
A televisão, que desdenha a literatura, convocou um desfile de escritores para falar de Saramago. Disseram-se coisas belas e verdadeiras: que este escritor recuperou o barroco do Padre António Vieira de uma forma moderna, em alegorias transbordantes de imaginação, instigando o desassessego do pensamento. Mas estas coisas belas eram sempre interrompidas pela pequena história da politiquice e da beatice: o sub-secretário que entendeu vetar um livro do Escritor para um prémio, escandalizado com o seu Cristo demasiado humano. Que interessa a sub-pessoa diante da grandeza da obra? Que interessa a aflição das hierarquias do poder terreno da Igreja – penoso, vergonhoso, o texto do jornal oficial do Vaticano sobre o Nobel português, nesta hora que pedia respeito e compaixão - diante do entusiasmo divino com que milhares de católicos leram O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Caim? Que interessa a mesquinhice humana na hora da morte do criador de Ensaio Sobre a Cegueira? Que importa o lugar onde hão-de ficar as cinzas? Os grandes escritores não se desfazem em cinzas, é isso que os pequenos poderes não lhes perdoam: o facto de serem imortais, e de continuarem a apontar-lhes o dedo e a desmanchar-lhes as poses, página a página, palavra a palavra.
José Saramago não tinha medo das palavras. Foi através delas que, como leitor, se fez homem, e depois – muito depois – como escritor, se fez livre. Creio que o facto de morar parte do tempo em Espanha, por amor a ti, o ajudou a ser cada vez mais livre. Mais do que isso: tenho a certeza de que o amor que viveu contigo, em ti, por ti, o tornou mais livre. Via-se nos olhos dele. Via-se que te amava com orgulho e admiração pelo teu percurso humano e jornalístico, pela solidez e autonomia da tua voz – porque tu, Pilar, nunca foste a mulher-sombra. Nem ele, honra lhe seja, alguma vez gostou de mulheres assim. Por isso as mulheres dos seus livros vivem entre nós como heroínas que nos incitam nos momentos de fraqueza – enérgicas, lúcidas, luminosas, buscadoras incansáveis da justiça e da alegria. Admiravas o escritor, correste para Lisboa ao seu encontro depois de leres essa elegia à cidade de Pessoa que é O Ano da Morte de Ricardo Reis. Olharam-se e ficaram um do outro, de imediato e para sempre. Esse vosso romance – que acenderia, de muitas maneiras e através de variados enredos, muitos livros de Saramago – tem-me servido de sol de recurso através dos variados temporais da existência. A própria biografia de Saramago, em particular o seu trajecto de escritor - tardio, lento e feliz – é uma lição e um exemplo, em tempos de pressas sôfregas e génios quinzenais.
Lembro-me desse momento fulgurante em que o Nobel foi anunciado, lá na Feira de Frankfurt – lembro-me das lágrimas de felicidade de Lídia Jorge, abraçando-me. Lembro-me de Agustina pedir lagosta e champanhe para comemorar esse Nobel – Agustina sobre a qual, como tu recordaste publicamente, Saramago escrevera páginas de louvor na Seara Nova, nos idos de sessenta, quando era politicamente incorrecto dizer que ela era uma escritora de génio. Lembro-me da forma como José partilhou o Nobel, dizendo-se herdeiro de uma tradição de grande Literatura e mencionando vários outros nomes de escritores de língua portuguesa seus contemporâneos que o mereceriam. Ele continuará a existir em ti, porque o amor tem o dom de permanecer debaixo da pele e no brilho dos olhos de quem o guarda. Só isso se guarda: o amor e as palavras. A coragem de os viver por inteiro. O amor e as palavras exigem coragem, cariño. Tu sempre o soubeste, como ele.
Inês Pedrosa
sábado, 16 de mayo de 2020
sábado, 9 de mayo de 2020
La cuchara en la boca (Herberto Helder)
Icaria Editorial
7 de noviembre de 2001
Poesia toda
Assírio & Alvim 1990
Jornal de letras, artes e ideias, nº 54, 15-28 de mazo de 1983
Poesia toda
Assírio & Alvim 1990
Jornal de letras, artes e ideias, nº 54, 15-28 de mazo de 1983
Herberto Helder en Triplov
Sobre Herberto Helder en Triplov
Como falar de Herberto Helder? (Eduardo Prado Coelho)
Fuente: folhadepoesia.blogspot.com
Herberto Helder (Poesia Portuguesa)
Herberto Helder, Poeta obscuro (Maria Estela Guedes)
Brasileira revela cartas inéditas do poeta portugês Herberto Helder
Revista 7faces
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